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Afrânio Melo faz críticas ao Congresso Nacional

Ainda está longe, muito mesmo, o dia em que o Brasil não precisará mais da Justiça do Trabalho. A desigualdade social e a força do empresário em relação ao trabalhador, indicam que a Justiça Trabalhista é mais do que necessária: é vital.

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Ainda está longe, muito mesmo, o dia em que o Brasil não precisará mais da Justiça do Trabalho. A desigualdade social e a força do empresário em relação ao trabalhador, indicam que a Justiça Trabalhista é mais do que necessária: é vital. A afirmação é do presidente do Tribunal Regional do Trabalho, juiz Afrânio Melo, ao falar do dia primeiro de maio, Dia do Trabalho.

Afirma, no entanto, que a Justiça do Trabalho não é anti-empresário como alguns dizem. "Em função dessa desigualdade que afirmei nasceu a necessidade de uma legislação que protegesse o elo mais fraco: o trabalhador. O empresário que respeita essa lei tem todos os direitos reconhecidos", diz.

No Dia do Trabalho o presidente do TRT criticou algumas práticas do Congresso Nacional. "Fica cada vez mais difícil, nesta atual quadra da vida, mostrar valores diante de tanta hipocrisia patrocinada pelos nossos atuais mandatários. Não temos obrigação de engolir bazófias de governantes, tentando nos fazer de tolos. No Congresso Nacional, assistimos mais peças de teatro, ratificando e coonestando o famoso "mensalão" e instituindo, oficialmente, o caixa dois do que decisões sérias e votação de projetos de interesse nacional", disparou.

No cenário atual destacou a responsabilidade da Justiça. "O que nos cabe é fazer justiça, imbuídos dos princípios inarredáveis da transparência, da dignidade, da impessoalidade e da moralidade. Nós juizes de mentalidade mais serena e comprometidos com a lisura, não devemos arrefecer nossos ânimos. Temos uma missão divina a cumprir e devemos cumpri-Ia a todo custo. Devemos nos conscientizar que somos a última ou a única tábua de salvação da sociedade e não podemos nem devemos decepcioná-la. O dia 1º de maio é uma excelente data para renovarmos nossos ânimos".

Afirmou que o trabalhador brasileiro precisa de uma Justiça cada vez mais independente, sem atrelamento, qualquer que seja, a nenhum Poder. "O juiz é o direito feito homem. Só desse homem posso esperar, na vida prática, aquela tutela que em abstrato a lei me promete. O bom juiz põe o mesmo escrúpulo no julgamento de todas as causas, mesmo as mais humildes, no caso os trabalhadores. As sentenças não devem ser bonitas, mas simplesmente justas. Para encontrar a justiça, é necessário ser-lhe fiel. Ela, como todas as divindades só se manifesta a quem nela crê", concluiu.