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Ariano Suassuna se emociona em homenagem prestada pelo TRT

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A Justiça do Trabalho viveu ontem um momento histórico ao prestar homenagem o escritor Ariano Suassuna. Ele recebeu das mãos da presidente do Tribunal Regional do Trabalho, juíza Ana Clara Nóbrega a Comenda do Mérito do Trabalho Epitácio Pessoa, no grau de Grande Oficial. A homenagem aconteceu dentro do Projeto Quinta Cultural no auditório do Fórum Maximiano Figueiredo, em João Pessoa.

O poeta popular Oliveira de Panelas saudou o escritor bem como o maestro Bebé de Natércio que apresentou um soneto de 14 versos com o Armorial Ariano Suassuna, do Colégio Pio X. O Grupo Folclórico do Sesc dirigido por Pedro Cândido apresentou o xaxado e o Grupo Caroá, regido pelo maestro Roberto Araújo, acompanhou as poesias de Marco Di Aurélio.

Em seu discurso de abertura a presidente do TRT, juíza Ana Clara Nóbrega disse que a homenagem estava sendo feita a um homem que usa seu talento em prol da cultura do povo paraibano. “A presença de Ariano enriquece o Projeto Quinta Cultural do TRT, que já trouxe também Antônio Barros e Ceceu e a Bandinha de seu Lula”, disse a presidente. Ela lembrou que, mesmo não exercendo a função de advogado, Ariano se tornou um grande defensor da cultura popular nordestina.

Ao saudar o homenageado em nome da Justiça do Trabalho, o juiz Vicente Vanderlei disse ter uma dúvida: “Estamos aqui para homenagear Ariano ou Ariano está aqui para nos homenagear”, questionou. Um painel com fotografias de Gustavo Moura pertencentes ao acervo da Usina Cultural da Saelpa foi montado no auditório e no hall de entrada, personagens da obra A Pedra do Reino produzidas pelo artista Ion Pontes e telas do artista Pedro Nogueira.

Ariano Suassuna recebeu de presente uma tela e um boneco que retratam sua obra e também o primeiro troféu Quina Cultural, das mãos da juíza-presidente Ana Clara e do idealizador do projeto, o juiz Paulo Henrique Tavares de Melo, que é diretor do Fórum. O troféu representa todas as artes.



Emoção – O escritor Ariano Suassuna se sentiu a vontade com todas as homenagens prestadas pelo Tribunal Regional do Trabalho. Conversou com o público, agradeceu os presentes recebidos e disse estar honrado com a Comenda do Mérito Trabalhista Epitácio Pessoa. “Se eu soubesse que ia ganhar essa medalha, teria vindo de farda. Quem sabe assim poderia ganhar uma eleição lá em Taperoá”, brincou.

Contou histórias de sertanejos, sorriu e chorou. Lembrou que formou-se em Direito por falta de opção, mas que sua vocação sempre foi a literatura. “Quando tentei ser advogado vivi o tempo mais infeliz da minha vida”, revelou, destacando que é um entusiasta do povo brasileiro. “Dizem que eu tenho imaginação, mas eu não tenho. Eu apenas copio, porque o Sertão é cheio de gente interessante que ninguém dá valor, mas eu dou. É por isso que sou amado pelo povo brasileiro”.

A mesa foi composta pelo homenageado, pela juíza-presidente Ana Clara Nóbrega e pelos juízes, Paulo Henrique Tavares de Melo (diretor do Fórum Maximiano Figueredo), Vicente Vanderlei, André Machado, presidente da Amatra 13 e pelo diretor Geral do TRT, Carlos Melo. No auditório, juízes titulares e Substitutos de 1ª e 2ª Instâncias, o deputado Rômulo Gouveia, a Delegada da DRT, Francisca Barbosa, servidores, familiares, amigos e admiradores do escritor.