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Juíza do Trabalho fala sobre trabalho infantil doméstico

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“Criança é pra brincar, não é pra trabalhar”. É o que diz um dos versos do repente improvisado pelo estudante Lailton Carvalho, 13 anos, durante a abertura do II Encontro de Adolescentes do PETI. Lailton é um dos 450 jovens atendidos pelo programa que participaram do evento realizado no último dia 22/01, no auditório do Sebrae, na Capital paraibana. A Associação dos Magistrados do Trabalho da 13ª Região (Amatra 13) apoiou a iniciativa, através de sua Comissão de Direitos Humanos (CDH).

A juíza Maria Lílian Leal de Souza, coordenadora da CDH da Amatra 13, participou como palestrante do evento, abordando o tema “trabalho infantil doméstico”. A magistrada esclareceu os adolescentes do PETI a respeito desta forma de exploração que causa prejuízo no aprendizado escolar, além de causar danos no desenvolvimento profissional de crianças. “É preciso ter consciência sobre até que ponto o trabalho doméstico está retirando a chance da criança estudar e desenvolver seu talento”, afirmou a magistrada.

“Devemos esclarecer nossos jovens de que só podem desenvolver seus talentos através da educação e isso se dá através da escola”, disse Lílian. “A formação de um adolescente dá a este a oportunidade de um futuro melhor. Quem começa a trabalhar cedo demais perde chances de aperfeiçoamento e, consequentemente, de uma oportunidade de emprego e renda melhores”, completou a juíza do Trabalho.

Lílian encerrou sua palestra solicitando aos beneficiados pelo PETI que discutam o trabalho infantil, sobretudo o doméstico, com pais, educadores e formadores. “Se vocês adolescentes trabalham hoje, para suprir uma necessidade atual, vão levar o problema adiante. É preciso lutar para não abrir mão de estudar, de desenvolver seus talentos, e assim, ter uma oportunidade melhor no futuro”, esclareceu.

O estudante Josué Silva, 12anos, atendido pelo núcleo do PETI localizado no bairro Bancários, em João Pessoa, confessou que já vendeu “dindin” para ajudar a mãe. “Mas eu não gostava de fazer isso. Quem tá no colégio aprende e quem vende dindin aprende alguma coisa?”, indagou aos colegas do PETI. É, parece que a lição da juíza Lílian Leal foi passada com sucesso.

O Peti atende, em 30 núcleos, crianças e adolescentes de todos os bairros de João Pessoa com idades que variam entre 7 e 15 anos e onze meses. Todas enfrentam situação de risco de serem exploradas em atividades como catar caranguejo, comércio informal, frete em feiras livres, exploração sexual, tráfico de drogas, entre outros. No programa são desempenhadas atividades sócio-educativas visando o enriquecimento social e cultural das crianças e adolescentes com o fim de evitar que as mesmas voltem a desempenhar qualquer tipo de trabalho infantil.

O adolescentes discutem, durante encontros anuais, assuntos de interesse para seu desenvolvimento e planejam com educadores ações e atividades que possam ser realizadas pelos núcleos. Na tarde desta sexta (22), foram formados grupos de trabalho para discutir temas voltados para o cumprimento do objetivo de erradicação do trabalho infantil.





Fonte: Ascom da Amatra 13

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