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“Precisamos de políticas públicas que se relacionem com o dia a dia da pessoa com deficiência”, afirma palestrante sobre acessibilidade para servidores do TRT-13

Capacitação aconteceu no Dia da Pessoa com Deficiência

Ações do documento

publicado: 06/12/2021 11h41 última modificação: 07/12/2021 08h51

Políticas públicas efetivas e relacionadas ao cotidiano da pessoa com deficiência e igualdade de oportunidades. Estes são alguns dos desejos de Hellosman de Oliveira, pessoa com deficiência física e ministrante do curso “Acessibilidade e diversidade humana: convivências e inclusão social”, promovido nesta sexta-feira (3) para servidores do Tribunal Regional do Trabalho (13ª Região), por meio de parceria entre o TRT-13 e a Escola Judicial da 13ª Região (EJud13). A data não foi escolhida à toa: neste 3 de dezembro, celebra-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

O juiz auxiliar da Presidência, que também coordena a Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal, Paulo Roberto Vieira Rocha, afirmou que a capacitação é, também, uma forma de se preparar para o retorno do público ao ambiente presencial do TRT-13. “Penso que estamos nos aproximando do dia em que o fluxo de pessoas nos prédios do Tribunal vai aumentar, assim como o fluxo de pessoas com deficiência. Então, devemos nos antecipar e estar preparados. Embora seja um curso de curta duração, ajuda a refletir e preparar para receber esse público”, disse, acrescentando outras ações do Tribunal voltadas à inclusão de pessoas com deficiência.

“Recentemente, tivemos um curso voltado a arquitetos e engenheiros em relação à ter maior sensibilidade nas intervenções dos prédios do Tribunal. Além disso, inauguramos há pouco tempo um piso tátil nas dependências do Fórum Maximiano Figueiredo. Então, é um conjunto de ações voltadas à inclusão e que devem se intensificar. É importante incentivar o debate e a preparação e fazer do Tribunal uma instituição preparada, moderna e atenta aos anseios da sociedade”, salientou.

Para o ministrante, a data é importante porque dá visibilidade a um amplo segmento da sociedade que, conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa 17,3 milhões de pessoas acima de dois anos no país. Na faixa etária acima de 60 anos, a proporção é de uma a cada quatro pessoas com algum tipo de deficiência.

“É uma grande parcela da sociedade que precisa de políticas públicas de acessibilidade, educação e inclusão social, no contexto da intersetorialidade. Precisamos de políticas públicas que se relacionem com o dia a dia da pessoa com deficiência. Queremos igualdade de oportunidades, autonomia e independência. Então, este curso promovido pelo Tribunal é de fundamental importância para todos conhecerem o cotidiano das pessoas com deficiência e, também, abrir o debate sobre a temática da acessibilidade e inclusão”, enfatizou.

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Palestrantes do curso e organizadores

Experiências

Para Fábia Halana, que, durante o curso, ministrou palestra sobre o tema do capacitismo, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência revela o protagonismo deste público na sociedade, principalmente na busca por efetivação dos direitos e do respeito. “Sabemos que o capacitismo é latente e precisamos, diariamente, lidar com as barreiras impostas. Por isso, é importante refletir sobre a autonomia, independência e respeito às pessoas com deficiência. Não podemos reforçar o pensamento ainda existente de que somos frágeis e incapazes”, frisou.

A capacitação contou com a presença da pedagoga Marina Felismina dos Santos, que tem cegueira total. Ela ressaltou que a forma como a pessoa com deficiência é tratada faz toda a diferença entre o acolhimento ou a rejeição. “A importância deste curso é difundir junto à sociedade os direitos que temos e as barreiras que enfrentamos, que são, sobretudo, atitudinais. Um piso tátil, por exemplo, pode parecer pouco, mas já ajuda com a orientação na mobilidade. Falar diretamente com a pessoa com deficiência, em vez de focar a atenção no acompanhamento, é muito importante também. Afinal, temos nossa autonomia e podemos responder nossas questões”, citou.

Por sua vez, a psicóloga e diretora técnica do Centro Helena Holanda, Fátima Holanda, destacou a importância do desenvolvimento de políticas públicas inclusivas às famílias com pessoas com deficiência intelectual. “Quanto mais leve a deficiência, mais a pessoa pode crescer, mesmo com atraso no desenvolvimento global. Mas há os casos em que a deficiência está associada a outras comorbidades e doenças genéticas, então, pode-se trabalhar dois pilares. O primeiro é o da inclusão, de forma geral, com acessibilidade e intervenção precoce. O outro seria a garantia dos direitos humanos, como saúde, educação, habitação, segurança alimentar, entre outros. Principalmente as famílias mais vulneráveis socialmente precisam ser mais assistidas para poderem cuidar dessa pessoa com deficiência e, também, viver suas próprias vidas”, pontuou.



Celina Modesto
Assessoria de Comunicação Social TRT-13