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Simpósio sobre o Dia da Mulher Negra levanta discussão sobre antirracismo e potência do povo negro

Evento realizado no Fórum Maximiano Figueiredo contou com a presença de autoridades e palestras sobre a luta das mulheres negras

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publicado: 26/07/2022 13h21 última modificação: 01/08/2022 15h01

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Evento discutiu questões importantes ligadas ao cotidiano das mulheres negras na Paraíba

O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela são celebrados nesta segunda-feira (25) e para marcar este momento, foi realizado um simpósio que debate as questões desta parcela da população. O evento, realizado durante a manhã no Fórum Maximiano Figueiredo, é uma parceria entre o Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba (13ª Região), a Secretaria Extraordinária de Políticas Públicas para as Mulheres (SEPPM) da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraíba (OAB/PB).

Na ocasião, estiveram presentes na mesa de abertura o presidente do TRT-13, Leonardo Trajano, o presidente da OAB/PB, Harisson Targino, a secretária extraordinária de Políticas Públicas para as Mulheres da PMJP, Nena Martins, a presidente do Comitê Gestor da Igualdade de Gênero, Raça e Diversidade do TRT-13, Ana Paula Porto, a gerente executiva da Igualdade Racial da Secretaria Estadual da Mulher e Diversidade Humana (SEMDH), Leandra Cardoso, e a promotora do Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB), Rosane Araújo.

“É uma grande honra para o TRT sediar o evento que celebra o dia da mulher negra. Integramos a justiça social e integrar esta justiça é falar de luta por igualdade. Essa luta da mulher negra busca minorar duas chagas da sociedade: o racismo e o machismo. Este evento é um marco de debate sobre temas que estão na agenda da sociedade e que precisam contar com o engajamento de todos”, destacou o presidente do TRT, Leonardo Trajano.

Logo após, a mesa de debate foi composta, contando com as palestrantes Rosivânia Pereira Gomes, juíza substituta do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba (13ª Região); Francisca Leite, advogada, representando a Secretaria Extraordinária de Políticas Públicas para as Mulheres da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP); a representante da Coordenadoria de Promoção da Cidadania LGBT e Igualdade Racial da PMJP, Tânia Maria da Silva Correia; e a presidente da Comissão de Combate ao Racismo e Discriminação Racial da OAB/PB, a advogada e comunicadora Mislene Santos. A juíza Ana Paula Porto foi a mediadora da conversa.

A juíza Rosivânia Gomes abriu a conversa, com a palestra intitulada “A Mulher Negra no Judiciário”, evidenciando a ausência de mulheres negras nos espaços de poder e apresentando um relato de sua própria trajetória profissional. Em seguida, foi a vez da advogada Mislene Santos, com o tema “Eu, você e as questões raciais”. "Quando olharmos esta sala, percebemos poucas pessoas brancas, já que para muitos este tipo de discussão não é interessante de ser discutida, é 'mi-mi-mi'. Está errado, é algo que diz respeito a todos, especialmente aos brancos. É uma luta de todos nós que não aceitamos a discriminação pela cor da pele ou de qualquer outro tipo", enfatizou.

Ao falar sobre “Racismo e Intolerância Religiosa”, Tânia Maria aproveitou a ocasião para desfazer alguns mitos em torno de religiões de matriz africana, a exemplo do candomblé. "A intolerância religiosa e o racismo é fruto da ignorância, da falta de leitura e de reflexão em torno do conhecimento. O racismo é um dos elementos mais injustos e perversos da nossa sociedade", refletiu. Com os olhares atentos da plateia, a palestrante entoou um canto em homenagem aos orixás, entidades do candomblé.

Encerrando a manhã de discussões, a advogada Francisca Leite fez uma reflexão na palestra “Racismo Estrutural e Seus Impactos na Vida de Mulheres Negras”. Sua fala foi carregada de emoção ao trazer histórias de mulheres negras que tiveram grande importância na História do país, mas que não ganharam o devido destaque por conta do racismo que se instala em todos os aspectos de nossa sociedade. “O Brasil é um país racista, o Poder Judiciário, a Justiça Federal, o Ministério Público, todas essas instituições são racistas e o negacionismo em torno disso só atrasa ainda mais o caminho até a superação desta questão. É preciso encarar de frente e refletir sobre os preconceitos e discriminações que estão enraizados nessas estruturas. É isso que chamamos de racismo estrutural”, concluiu.

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Convidados puderam ouvir histórias de desafios, lutas por igualdade e também de muita inspiração

André Luiz Maia
Assessoria de Comunicação Social TRT-13